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View of the Week: Tendências em séries temporais e as recuperações “em letras”

02 fevereiro 2026

Nos últimos anos, o debate econômico passou a recorrer com frequência a metáforas em forma de letras (recuperação em V, U, W, K e assim por diante) como uma forma didática de descrever a dinâmica da atividade após grandes choques. Embora simplificadoras, essas representações ajudam a organizar a discussão sobre a natureza das crises e, em especial, sobre uma questão central: os choques têm efeitos temporários ou permanentes? Do ponto de vista estatístico, essa pergunta se traduz no tipo de tendência que governa a série.

Em termos gerais, as tendências podem apresentar natureza determinística (quando choques produzem desvios temporários e a série retorna a uma trajetória previsível) ou estocástica (implicando efeitos persistentes). No primeiro caso, o crescimento ocorre ao redor de uma tendência relativamente estável; no segundo, a trajetória tende a incorporar permanentemente os efeitos dos choques. Importante notar que uma mesma variável econômica pode alternar entre esses comportamentos ao longo do tempo.

No gráfico desta semana, reavaliamos dois casos extremos de choques que incidiram sobre a economia global: a Grande Crise Financeira e a pandemia de Covid-19. Considerando a evolução do PIB dos EUA, o episódio de 2020 ficou amplamente reconhecido como uma “recuperação em V”, dada a forte retomada do crescimento após o choque inicial, que retomou a tendência observada nos anos anteriores, um comportamento típico de tendências determinísticas. Por outro lado, a mesma série apresentou dinâmica distinta nos anos que se seguiram ao choque causado pela crise financeira de 2008, deslocando a trajetória de crescimento para um patamar inferior ao observado anteriormente, sinalizando efeitos mais persistentes.

Essa diferenciação entre choques temporários e permanentes é fundamental para a leitura de cenários e seus efeitos para um portfólio de investimentos ao longo do tempo.

 

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