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View of the Week – Os efeitos heterogêneos do repasse cambial e a desinflação de 2025

30 março 2026

O Banco Central divulgou uma nova estimativa para o repasse cambial à inflação, além de uma série de outros estudos apresentados nos boxes do Relatório de Política Monetária referente ao primeiro trimestre de 2026, publicado na última quinta-feira (26). O estudo aponta um efeito relevante no índice agregado, mas também evidencia significativa heterogeneidade entre seus componentes.

Para o IPCA cheio, o coeficiente de repasse estimado foi de 0,10 em um horizonte de um ano e de 0,16 em dois anos. Em termos práticos, isso implica que uma depreciação de 10% do Real tende a se traduzir em uma elevação acumulada de aproximadamente 1 ponto percentual do IPCA ao longo de 12 meses e de 1,6 p.p. em 24 meses. Dessa forma, o impacto estimado não diverge de maneira relevante de exercícios anteriores baseados nos modelos semiestruturais de pequeno porte.

O estudo também estima os coeficientes de repasse para segmentos específicos da inflação. Os resultados, apresentados no gráfico desta semana, indicam que o efeito é substancialmente mais elevado em grupos de bens comercializáveis, como alimentação no domicílio e bens industriais, do que em itens não comercializáveis, como serviços, grupo para o qual o coeficiente estimado é praticamente nulo.

A análise ganha relevância adicional no contexto da forte apreciação cambial observada desde o final de 2024, quando a cotação passou de uma máxima próxima a 6,30 para cerca de 5,25. Os resultados reforçam não apenas a contribuição relevante do câmbio para o processo de desinflação ao longo de 2025, mas também seu papel particularmente importante na desaceleração de preços de alimentos e bens industriais, que se destacaram positivamente no período. Já o segmento de serviços, que ainda apresenta dinâmica mais desafiadora, parece refletir a persistência de um hiato do produto positivo

 

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