No final do ano passado, o Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC) aprovou o fim da obrigatoriedade de que fundos de pensão marquem os títulos em carteira a valor de mercado. Na prática, a nova regra permite que esses fundos reportem a rentabilidade de títulos de renda fixa de seus clientes com base na taxa contratada na data de aquisição, válida caso o papel seja carregado até o vencimento – assumindo que não haja inadimplência ou renegociação da dívida.
A marcação a mercado, por sua vez, reflete as oscilações nos preços dos títulos no mercado secundário, ou seja, o valor que o investidor poderia obter se vendesse o papel antes do vencimento (o preço em que o papel é negociado). Essas variações decorrem de movimentos nas taxas associadas ao título, influenciadas por fatores cíclicos, como mudanças na curva de juros que remunera os títulos públicos do país (considerado uma referência para o mercado de crédito local) ou fatores idiossincráticos, como a liquidez do papel e alterações na percepção de solvência do emissor.
O gráfico desta semana apresenta uma analogia clássica, comparando a performance de um título à vida de um peru de Natal: o bem-estar do peru melhora a cada dia, até ser abruptamente interrompido – como ocorre com a marcação na curva, que mostra uma valorização constante até que um evento inesperado, como default, reestruturação ou venda antecipada, revele os riscos ocultos. Assim, embora a marcação na curva possa criar uma sensação de estabilidade, ela também pode mascarar riscos relevantes ao investidor.
View of the Week é uma série semanal da Turim que, a partir de um gráfico, apresenta análises e reflexões sobre diversos tópicos relacionados ao mercado, economia, história e tendências.