O circuit breaker é um mecanismo de proteção que interrompe temporariamente um sistema quando determinados limites são ultrapassados. O nome vem da engenharia elétrica, em que o disjuntor desarma automaticamente diante de uma sobrecarga para evitar danos maiores. No mercado financeiro, o conceito foi incorporado após a quebra de 19 de outubro de 1987, quando o Dow Jones caiu cerca de 22% em um único dia, levando as bolsas americanas a adotá-lo no ano seguinte. Hoje, o mecanismo é aplicado a índices, ativos individuais e contratos futuros, sob diferentes nomes e regras. No Brasil, a Bovespa o introduziu em outubro de 1997, em meio à crise asiática, após o Ibovespa cair quase 15% em 27 de outubro. O primeiro acionamento ocorreu no dia seguinte.
No caso do Ibovespa, quando o índice recua 10% em relação ao fechamento anterior, a B3 suspende as negociações por 30 minutos. Se, após a reabertura, a queda atingir 15%, a pausa passa a ser de uma hora. Aos 20%, o prazo é definido pela própria B3. O mecanismo não é acionado nos últimos 30 minutos do pregão. Mecanismos semelhantes também são aplicados aos mercados de câmbio e de derivativos, cada qual com suas próprias regras. O objetivo é interromper um ciclo que se retroalimenta: quedas rápidas reduzem a liquidez, provocam chamadas de margem e vendas forçadas, que, por sua vez, aprofundam a desvalorização. A pausa permite que as informações sejam assimiladas, as ordens reavaliadas e a liquidez restabelecida, mas não impede novas quedas nem sustenta artificialmente as cotações.
O gráfico desta semana apresenta a evolução do Ibovespa em escala logarítmica, com linhas pontilhadas indicando os pregões em que houve acionamento do mecanismo. Até a última sexta-feira, foram 23 acionamentos em 20 pregões, concentrados em poucos episódios, incluindo as crises emergentes de 1997 a 1999 (asiática, russa e cambial brasileira), a crise financeira global de 2008 e o Joesley Day, em 2017. O último havia ocorrido em março de 2020, durante a pandemia de Covid-19, até o novo acionamento registrado hoje, o 24º da história.

