Meio ponto percentual ao ano pode parecer irrelevante. No extrato de um único mês, a diferença entre um retorno anualizado de 8% e de 8,5% é quase imperceptível, sobretudo em estratégias sujeitas às oscilações do mercado. Ainda assim, quando sustentadas por longos períodos, diferenças aparentemente pequenas podem produzir impactos expressivos sobre o patrimônio.
Isso ocorre porque um retorno anualizado ligeiramente maior não acrescenta um ganho fixo a cada período, mas incide sobre uma base que incorpora todos os rendimentos acumulados anteriormente. Esse é o efeito dos juros compostos.
O gráfico desta semana ilustra esse mecanismo por meio de quatro trajetórias que diferem apenas na taxa de retorno anualizada (7%, 7,5%, 8% e 8,5% ao ano), todas partindo de um mesmo capital inicial de R$ 100 mil. As curvas permanecem praticamente sobrepostas nos primeiros anos, mas se afastam progressivamente à medida que o tempo passa. Após 30 anos, a diferença entre a trajetória de menor retorno e a de maior retorno supera 50%, o equivalente a pouco mais de R$ 300 mil neste exemplo.
A principal mensagem é que pequenas diferenças de retorno, quando mantidas de forma consistente ao longo do tempo, podem produzir efeitos significativos sobre a acumulação de patrimônio. Isso ajuda a explicar por que ganhos aparentemente modestos de rentabilidade podem fazer grande diferença para investidores com horizontes de longo prazo.

